Entre um voo e outro com Willians Mischur: Vaticano, o menor “país” do mundo

Coração do mundo católico, a cidade-estado do Vaticano – ponto de peregrinação cristã – transborda história. Localizado dentro da cidade de Roma, na Itália, o local – apesar de ser considerado o menor “país” do mundo – recebe milhões de visitantes em seus 0,44 quilômetro quadrado. Eu, Willians Mischur, tive a oportunidade de conferir de perto o lugar ao lado da minha família durante nossa última viagem pela Europa.

Sabe-se que a cidade do Vaticano foi criada em 1929, com a assinatura de um acordo entre a Santa Sé e o premiê italiano Benito Mussolini. Agora, a origem de seu nome vem de uma colina situada na região noroeste de Roma – espaço dos oráculos muito antes da Roma pré-cristã. Inclusive, Vaticanus (também conhecido como Vagitanus) era um deus etrusco, cujo templo teria sido construído no antigo local de Vaticanum.

Ali, ergueu-se também o Circo de Nero. Acredita-se, inclusive, que tenha sido também o local em que São Pedro foi martirizado e sepultado. Posso afirmar que é de arrepiar ver a famosa Praça de São Pedro (Piazza San Pietro) e pensar que, por exemplo, o obelisco egípcio que fica em seu centro foi uma das últimas coisas que o próprio apóstolo presenciou, pouco antes de seu assassinato no primeiro século d.C.

Situada em frente à Basílica de São Pedro, a praça é uma das maiores (320 metros de comprimento por 240 metros de largura) e mais bonitas do mundo. Desenhada por Bernini no século XVII, a praça apresenta – além do obelisco central – duas fontes: uma de Bernini (1675) e outra de Maderno (1614). Na praça, constam ainda 284 colunas e 88 pilastras que a circulam em um pórtico de quatro colunatas.

No alto das colunas, existem 140 estátuas (de santos e mártires, papas e fundadores de ordens religiosas) feitas em 1670 por discípulos de Bernini. É na praça que o papa celebra audiências públicas, celebrações e bênçãos.

BASÍLICA DE SÃO PEDRO – Maior e mais importante edifício religioso do catolicismo, a Basílica de São Pedro é uma das mais visitadas no mundo. Eu, Willians Mischur, aproveitei para passar por lá. Mas, um alerta: vá preparado para enfrentar uma longa fila e passar pela segurança. Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, a Basílica tem estilo renascentista e conta com contribuições de renomados artistas como Bramante, Michelangelo, Rafael e Bernini.

Aliás, na primeira capela da alameda do lado direito, encontra-se a Pietà – uma das mais famosas esculturas de Michelangelo, feita aos 23 anos. Ela representa Jesus morto nos braços de sua mãe. Hoje, protegida por um vidro a prova de balas, após um atentado. Por outro lado, uma estátua de bronze de São Pedro, do escultor Arnolfo di Cambio, já está com os pés desgastados de tantas pessoas passarem as mãos em busca de bênçãos.

Outro ponto que impressiona é o Baldaquino, criado por Bernini para o altar papal acima do túmulo de São Pedro. Com quase 30 metros de altura, o baldaquino de bronze dourado é sustentado por quatro colunas torsas. A propósito, para concluí-lo derreteram bronzes antigos do Panteão para utilizarem na obra. Antes de ir embora do local, se tiver fôlego e uns euros sobrando, aproveite para subir as escadarias até o domo da basílica. A vista é incrível!

CAPELA SISTINA – Consagrada à Virgem Maria em 1483, a Capela Sistina – situada no Palácio Apostólico (residência oficial do papa) – foi criada por dois renascentistas: os papas Sisto IV e Júlio II, que encomendaram suas obras de arte no fim do século XV e início do século XVI. Quem concedeu contornos gloriosos ao local foram os artistas Sandro Botticelli, Pietro Perugino e Michelangelo – responsável pela maior parte deste feito.

Pintados em cores vivas para serem visíveis do chão, os afrescos de Michelangelo levaram quatro anos para ficarem prontos – o que atormentou o artista, que escreveu até um poema reclamando de sua dor na coluna. Completando o teto em 1512, ele retornou 24 anos depois para pintar o “Último Julgamento” na parede do altar. Em 500 anos, o teto de Michelangelo perdeu apenas uma peça, culpa da explosão de um depósito de pólvora próximo ao local em 1797.

Agora, diferente da reclamação do próprio artista, contemplar a Capela Sistina é algo tão incrível que até esquecemos da dor no pescoço ao olhar para cima. Aos poucos, você vai desvendando os desenhos eternizados no local. Ao lado do teto da capela, por exemplo, estão 12 figuras que profetizaram a vinda de Cristo. Os sete homens são profetas do Antigo Testamento e as cinco mulheres são sibilas pagãs da mitologia grega e romana antiga.

Estima-se que mais de 350 figuras são retratadas no teto, o que inclui famílias com crianças, anjos e demônios, algumas delas com os rostos dos contemporâneos de Michelangelo. Deste total, foram pintados 20 homens musculosos (os ignudi), cujos corpos nus escandalizaram o papa Adrian VI. Depois da morte de Michelangelo, o Vaticano até ordenou que cobrissem com tangas. Mas, anos depois, elas foram restauradas ao modelo original.

A Santa Sé ainda usa a capela para trabalhar, principalmente quando os cardeais se reúnem para eleger um novo papa: o conclave. A propósito, há um provável suspeito pela coloração branca da fumaça que sobe pela chaminé da capela para sinalizar a seleção do Santo Padre: clorato de potássio, que arde rapidamente, o que eleva o fumo branco em direção ao céu.

Vale ressaltar que a entrada para a Capela Sistina ocorre por meio dos Museus do Vaticano, cuja entrada é na lateral da Praça de São Pedro. Inclusive, não deixe de visitar os Museus do Vaticano – eles guardam tesouros fantásticos. Lá, encontram-se uma das coleções mais impressionantes e extensas do mundo pertencente à Igreja Católica, com mais de 70 mil objetos expostos em uma área de 42 mil metros.

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Modena, o coração da terra dos motores

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *