Entre um voo e outro com Willians Mischur: Roma, a cidade eterna

“Bella. Molto bella”. Conhecida como “Cidade Eterna”, Roma exala parte importante da história da Europa para o mundo. Eu, Willians Mischur, tive a chance de visitá-la recentemente ao lado da minha família. E já adianto: passear pela capital da Itália é como viajar ao passado. Uma oportunidade de conhecer in loco as relíquias herdadas de suas diferentes épocas de esplendor máximo.

Para além disso, Roma fervilha modernidade – com seus sons de ciclomotores e caos sob medida. Isto, é claro, em harmonia com o frescor e a autenticidade de lojas e restaurantes artesanais familiares. Com maravilhas barrocas a cada passo, a cidade é – sem dúvidas – o paraíso dos fotógrafos. “La dolce vita”, realmente. Se andei uns 15 quilômetros por lá, posso afirmar que também foram uns 15 quilômetros de cliques inspiradores.

Há quem diga que a cidade foi fundada no Monte Palatino por Romulus, filho de Marte – o deus da guerra. Outros acreditam que Eneias e alguns de seus seguidores escaparam da queda de Troia e estabeleceram o município. Agora, independentemente de qual dos muitos mitos se prefere, uma coisa ninguém pode duvidar: o impacto da Roma antiga na civilização ocidental. Até mesmo sua língua, o latim, espalhou-se por toda parte.

COLISEU E FÓRUM ROMANO – Um dos primeiros pontos que visitei foi o gigantesco Anfiteatro Flaviano, também conhecido como Coliseu. Ele é de tirar o fôlego: com uma estrutura maciça média de aproximadamente 189 por 156 metros, que se elevava originalmente a quatro andares e incluía 80 entradas (66 para “clientes”, duas para participantes de eventos e duas exclusivamente para o imperador), capaz de acomodar mais de 50 mil espectadores.

Sua construção começou em algum momento entre 70 e 72 d.C. sob o domínio do imperador Vespasiano. Por outro lado, o Coliseu só foi aberto quase uma década depois – sendo modificado várias vezes nos anos seguintes. A propósito, é uma sensação curiosa estar ali e pensar que quando o anfiteatro foi inaugurado o imperador Tito comemorou com 100 dias de jogos de gladiadores. Algo que foi retratado, por vezes, nas páginas dos livros e nas telas do cinema.

Além de jogos, o Coliseu também recebeu peças, reconstituições e até execuções públicas. E foi após a queda do Império Romano no Ocidente que o lugar começou a se deteriorar. Uma série de terremotos durante o século X d.C. danificou sua estrutura, que também sofreu com a negligência de seus administradores. No século XX, quase dois terços do edifício original haviam sido destruídos. Porém, um projeto de restauração começou nos anos 1990 para reparar o anfiteatro.

Mesmo sendo a terceira vez que visito o Coliseu, a experiência sempre soa como nova – seja pelo olhar que a vida atualizou, seja pelos detalhes que passaram despercebidos anteriormente. Dessa vez, levei uma lente olho de peixe para fotográ-lo. Agora, uma dica: venha com muita paciência, pois existem incontáveis turistas transitando pelo espaço, o que pode atrapalhar seu momento de contemplação. Ah, e não se esqueça de levar uma garrafinha de água, pois andará bastante.

Em seguida, aproveite para realizar um pit stop pelo Fórum Romano – o centro político, religioso e econômico da Roma antiga. Aliás, não jogue fora seu bilhete do Coliseu, pois ele vale para visitar o Fórum Romano com sua avenida mítica – feito um livro de história ao ar livre, no qual os monumentos e edifícios mais importantes do Império ainda são reconhecidos. Ali, você pode ver as colunas do templo de Saturno e o arco de Septímio Severo (ou Arco de Sétimo Severo).

TOUR POR ROMA – Próximo ao local está o Circus Maximus, o maior estádio ao ar livre da Roma antiga, onde mais de 250 mil espectadores desfrutaram de eventos esportivos e corridas de bigas – a fórmula 1 (com cavalos e pilotos) mais perigosa da história. Atualmente, o Circus Maximus é um grande parque público. Dali, vale a pena seguir em direção ao rio Tibre até chegar em La Bocca della Verità (ou A Boca da Verdade), localizada no pórtico da Basílica de Santa Maria.

Trata-se de uma imagem de uma face humanoide esculpida em um mármore pavonazzo. A propósito, uma lenda medieval diz que a escultura nada mais é do que um detector de mentiras. A história narra que se alguém contar uma mentira com a mão na boca da escultura, ela se fecharia “mordendo” a mão do mentiroso. O item é considerado “perigoso” para os enamorados que têm algo para esconder.

Aproveite para conhecer a própria Basílica de Santa Maria, uma das igrejas mais antigas de Roma. Construída no século II e reformada no século XII, a basílica apresenta em seu interior um imponente teto de madeira, colunas de mármore que separam as três naves e afrescos e mosaicos que decoram as capelas. A Igreja de Santo Inácio de Loyola (Chiesa di Sant’Ignazio di Loyola), com seu estilo barraco, também é muito bonita e originalmente funcionou como capela anexa à Universidade Romana.

Outro destaque em Roma é o Panteão, um magnífico edifício circular do ano 126 d.C. – construído sobre um anterior da época do imperador Agripa. Ao entrar nesse templo, a capacidade arquitetônica romana surpreende. Mais do que banhar com a luz que emana do óculo aberto no teto, a cúpula – de altura e diâmetro iguais (43 metros) – dá a sensação de que entramos dentro de uma esfera perfeita.

Aproximadamente cinco minutos de distância separam o local de uma das praças mais bonitas de Roma: a Piazza Navona, que preserva a forma alongada do antigo estádio do imperador Domiciano (85 d.C.). O local é embelezado pela fonte dos Quatro Rios (do artista barroco Gian Lorenzo Bernini) e pela Igreja de Sant’Agnese em Agone (projetada por seu rival, o arquiteto Francesco Borromini).

Ainda em Roma, é imperdível não visitar a Piazza Venezia, onde o mármore vitoriano brilha com franqueza – o monumento a Victor Manuel II, que os romanos intitulam de “o bolo de casamento”. Sua construção envolveu um enorme esforço econômico e a demolição de parte da colina de Capitolina (ou Campidoglio), coração e primeiro núcleo da cidade – hoje, sede do escritório do prefeito.

Foi Michelangelo quem reforçou a Praça Campidoglio, adornando-a com uma ampla escadaria (a Cordonata) e com um pavimento hipnótico ao redor da estátua equestre do imperador Marco Aurélio, cujo original está nos museus Capitolinos. Essa coleção é uma das mais antigas do mundo (século XV) e apresenta algumas das obras de arte mais importantes de Roma – como, por exemplo, a estátua do lobo que amamenta Romulus e Remus, lendários irmãos fundadores da cidade.

Fontana di Trevi, em Roma – Crédito Willians Mischur

Agora, impossível é visitar Roma e não passar pela Piazza Spagna ao pé da escadaria de Trinità dei Monti. Quer dizer, impossível mesmo é não conferir a icônica Fontana di Trevi, obra barroca construída em 1732, eternizada em 1960 no filme “La Dolce Vita”, de Federico Fellini. A fonte monumental (com 26 por 20 metros de largura) está localizada no cruzamento de três ruas – no ponto final do Acqua Vergine, antigo aqueduto de Roma. De acordo com a tradição, a pessoa que atira uma moeda na fonte garante seu regresso à cidade. Só posso atirar uma também e dizer: Roma, grazie mille!

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

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