Entre um voo e outro com Willians Mischur: Paris, a cidade luz

Cidade luz. Meca dos escritores. Capital da arte. Paris ganhou muitos apelidos ao longo dos anos, mas há algo que permanece em comum entre todas essas denominações: a capital da França nunca falha em seduzir. Das camisetas clichês escritas “Je T’aime Paris” aos livros e canções de amor que a retratam, Paris exala charme e muita história. Algo que tive a oportunidade de verificar de perto durante um tour pelo país.

Em “Les Misérables” (Os Miseráveis), o autor Victor Hugo já havia alertado ao mundo, em 1862, que “errar é humano, flanar é parisiense”. Ou como diria em bom português: vaguear tranquilamente. Eu, Willians Mischur, recomendo que você tenha um roteiro já pré-definido antes de embarcar para lá, pois isso facilita a organização do tempo em virtude da quantidade de locais para conhecer na cidade – que, “oui”, são muitos.

“Cadeados do amor” na grade da Pont das Arts em Paris – Crédito: Willians Mischur

No entanto, vou ter que concordar com Victor Hugo: certas coisas são irresistíveis em Paris. Visitar a capital francesa e não comprar uma baguete, por exemplo, é quase inaceitável. Não andar vagarosamente às margens do Rio Sena durante o pôr do sol também. Aliás, nada como passar uma tarde boêmia sentado em um café na calçada apenas apreciando a vida.

Até uns anos atrás, pendurar um “cadeado do amor” na grade da Pont das Arts era um clássico. Mas, mesmo após a retirada dos cadeados por questões de segurança e preservação da estrutura da ponte, vale a pena conhecer o local – cuja vista é incrível. “Très bien”.

Ícone mundial, Torre Eiffel é cartão postal de Paris – Crédito Willians Mischur

Quando estive por Paris confesso que também não resisti em me aproximar do sorriso de Mona Lisa e de tantas obras de arte no Museu do Louvre, de escalar a Torre Eiffel e “procurar” por gárgulas e corcundas na Catedral de Notre Dame – que tive a honra de ver ao vivo antes do lastimável incêndio ocorrido em 15 de abril deste ano.

NOTRE DAME – Construída entre 1163 e 1245 na Île de la Cité, a Catedral de Notre Dame de Paris (“Catedral de Nossa Senhora de Paris”) é uma das catedrais góticas mais antigas do mundo. Em seus oito séculos de história, o local já foi palco de importantes acontecimentos como, por exemplo, a coroação de Henrique VI da Inglaterra, a beatificação de Joana D’Arc e a coroação de Napoleão Bonaparte.

Felizmente, a Assembleia Nacional da França aprovou recentemente uma lei para sua reconstrução. Apesar de polêmica, a medida irá permitir a construção de um novo pináculo – uma espécie de torre que forma a parte mais alta da construção – com características modernas, em substituição ao anterior, que era do século 19 e entrou em colapso em meio às chamas.

Outra boa notícia é que os produtores de vinho da França já manifestaram apoio ao monumento histórico. François Pinault, proprietário do Château Latour, declarou que doará 100 milhões de euros e Bernard Arnault, proprietário do grupo LVMH, 200 milhões de euros para a campanha internacional de arrecadação de fundos para reformas na catedral. Inclusive, o LVMH ofereceu apoio de todas as suas equipes (criativa, arquitetônica e financeira) para ajudar no trabalho a longo prazo.

Enquanto que Martin e Olivier Bouygues, proprietários do Château Montrose, em Saint-Estèphe, e Clos Rougeard, em Saumur-Champigny, fizeram uma doação pessoal de 10 milhões de euros. O Charlois Group (dono dos fabricantes de barris Saury, Berthomieu e Leroi) informou que irá fornecer e doar seu melhor carvalho para reparar o telhado.

Já a Sotheby’s ofereceu as 750 mil libras arrecadadas com a venda em Londres de 25 das caixas limitadas de Mouton Rothschild Versailles Celebration para a Notre Dame. Originalmente, o dinheiro estava programado para a restauração do Palácio de Versalhes.

Se conhecer as vinícolas e os chatêaux do Vale do Loire já foi surreal, uma demonstração de solidariedade como essa é para brindar com satisfação. Afinal, os produtores – que são referência mundial em vinhos – abraçaram a causa.

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VINHO E SURPRESA – A propósito, transformar a paixão por Paris em um caso de amor eterno é algo quase natural. Eu, Willians Mischur, tive a oportunidade de ampliar esse conceito no meu aniversário de 40 anos. Para celebrar a data, adquiri uma garrafa de vinho de idade similar para um jantar especial. Agora, já imaginou abrir um vinho com esse tempo de existência? Tem uma história dentro dele.

No entanto, tomei um susto ao abrir a garrafa: o vinho parecia estragado. Tanto que, na dúvida, coloquei a garrafa de lado na mesa. O vinho estava com um aroma ruim e uma coloração estranha. Meio terroso. Mas, quem diria que esse mesmo vinho estaria em sua mais pura forma após uma hora. Foi como se ele recobrasse seu potencial: com sua coloração, densidade e complexidade originais, além de um aroma extraordinário.

Pela primeira vez na minha vida, entendi o conceito de “respirar”. De ver um vinho evoluir ao vivo. De constatar que um vinho é como um ser vivo. Se tem alma, não sei. Mas, ele – sem dúvidas – tem coração e respira. Foi um presente extraordinário de aniversário.

A explicação científica é que vinhos com alto potencial de guarda ou com idade avançada precisam de um contato maior com o oxigênio, pois é nesse processo que algumas moléculas se partem – o que beneficia a liberação de aromas em vinhos que estão muito fechados (pouco expressivos). Também é nesse momento que as moléculas de tanino se rompem e se aglutinam às de oxigênio, o que torna o vinho mais macio.

Passeio pelo Vale do Loire na França – Crédito Willians Mischur

Finalizei a viagem pela França com o coração transbordando emoção – por conhecer in loco parte da história do mundo, por encontrar os néctares mais cobiçados do planeta. “À bientôt”, Paris.

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Santorini e casamento grego

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