Entre um voo e outro com Willians Mischur: os châteaux do Vale do Loire

Você sabia que a palavra francesa “château” pode ser traduzida como castelo ou palácio? Nunca parei para pensar nisso até conhecer a França e ter a oportunidade de ver de perto os 300 châteaux espalhados pelo vale do rio Loire. Construídos pela nobreza e pela realeza entre os séculos X e XVI, eles são muito mais do que sua definição no dicionário. Afinal, os châteaux são praticamente monumentos indissociáveis da paisagem. 

Château Chenonceau no Vale do Loire na França – Crédito Willians Mischur

Conhecê-los é a melhor maneira de reviver, mesmo que por instantes, um pouco da história da região – que, por sua vez, é considerada um berço do Renascimento na França e foi classificada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2000. Tanto que eu, Willians Mischur, aluguei um carro e segui para o vale. Posso afirmar sem dúvidas que a sensação é de se teletransportar para outra era. Já explico melhor.

Localizada ao norte de Paris, a região – que vai do centro da França até o oceano Atlântico – apresenta tesouros em forma de patrimônio arquitetônico, cidades históricas e vinhedos. Guias locais acreditam que existiam cerca de mil châteaux ao longo de seus 800 quilômetros quadrados. Para eles, a explicação é simples: reis e suas cortes viajavam constantemente pelo país e a cada mudança trocavam de cidade e de moradia.

O desenvolvimento da região teve como ponto de partida o momento em que a corte convocou artistas e pensadores da Itália para firmar morada no Loire. Um deles era simplesmente Leonardo Da Vinci, que se mudou em 1516 para o château Clos Lucé, na cidade de Amboise, após convite do jovem rei francês Francisco I – grande mecenas das artes.

Diz a lenda que Da Vinci viajou até o local no lombo de uma mula trazendo consigo três de suas mais célebres pinturas: “Mona Lisa”, “A Virgem e o Menino com Santa Ana” e “São João Batista” – hoje, conservados no Museu do Louvre. Foi lá que o artista viveu os três últimos anos de sua vida: faleceu em seu quarto, aos 67 anos, no dia 2 de maio de 1519.

Château Clos Lucé já foi morada de Leonardo Da Vinci – Crédito Willians Mischur

Na visita ao local, é possível conhecer as réplicas de seus quadros e invenções, bem como desvendar certas curiosidades de seu cotidiano. Eu, Willians Mischur, não sabia que ele usava água da chuva e gema de ovo para misturar pigmentos e criar os tons eternizados em suas pinceladas. Também não tinha ideia de que ele era responsável por organizar festas inesquecíveis em nome do rei.

Inclusive, um parque – intitulado Leonardo Da Vinci – cerca o local e é super recomendado para passeios em família, pois tem espaços para piquenique e atividades personalizadas voltadas para as crianças. Em seu jardim, estão instalados alguns protótipos das engenhocas de Da Vinci – como a hélice volante. Quem tiver interesse em visitar o château e o parque pode obter informações sobre horário e passeios por meio do site oficial (http://vinci-closluce.com/en).

AMBOISE – Outro château emblemático está alguns quilômetros adiante: o Amboise, que diz a lenda que ele está interligado ao château Clos Lucé por uma passagem subterrânea de 500 metros. Amboise também ficou conhecido como o jardim de infância de soberanos franceses – como Charles VIII, Francisco I e Catarina De Médicis, entre outros.

Em 2019, os visitantes podem embarcar na Renascença com um tour virtual por meio do Histopad – um tablet, disponível em 12 idiomas (até português), que possibilita a experiência de visualizar em 3D várias construções desaparecidas há muito tempo, testemunhar o desenvolvimento da pousada real através dos anos, descobrir com surpresa obras de arte em sua localização original e cruzar o caminho com soberanos e demais personagens que fazem parte da história local.

A propósito, com visão de 360º, o terraço do château real é absolutamente único e monumental. De lá, é possível avistar paisagens declaradas pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade. As informações estão disponíveis no site oficial (https://www.chateau-amboise.com/n/pt/).

USSÉ – Um castelo de conto de fadas. É dessa forma que poderia ser descrito o château Ussé. A princípio, ele seria construído em 1642 apenas como uma fortaleza. No entanto, com o tempo, passou por reformas e ganhou torres e janelas. Com vista para os rios Indre e Loire, parte do château engloba características da arquitetura medieval e gótica e outra apresenta tons renascentistas. Para quem tem filhos pequenos, o local é pura magia.

Dizem que o local inspirou o escritor Charles Perrault na criação da história da Bela Adormecida. Hoje, a masmorra de Ussé, originalmente conhecida como “Masmorra dos Cavaleiros”, apresenta algumas das cenas mais memoráveis do conto da Bela Adormecida. Você Entre um voo e outro com Willians Mischur: os châteaux do Vale do Loirepode ver as três fadas madrinhas da princesa Aurora, o príncipe encantado e a fada má Carabosse. Se quiser saber mais, basta acessar o site oficial do château (https://www.chateaudusse.fr).

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador. 

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Chambord e os vinhedos franceses

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