Entre um voo e outro com Willians Mischur: Istambul, o coração cultural da Turquia

Cidade das Mesquitas. Constantinopla. Única cidade da Terra com uma costa na Ásia e outra na Europa. Localizada na Turquia, Istambul é (ou já foi) tudo isso e muito mais. Eu, Willians Mischur, tive a oportunidade de conhecer a cidade em minha última viagem e confesso que me surpreendi: Istambul tem uma energia incrível. Coração cultural do país, a cidade é uma mistura mágica entre o antigo e o novo.

Há milhares de anos Istambul tem sido uma porta crucial entre leste e oeste, bem como entre norte e sul. Afinal, a cidade é atravessada pelo imponente Estreito de Bósforo – uma maravilha natural de aproximadamente 46 quilômetros que marca o encontro da Turquia europeia e asiática e que conecta o Mar Negro e o Mar de Mármara.

Durante quatro noites, ficamos hospedados no maravilhoso CVK Park Bosphorus Hotel Istanbul, que fica perto de Bósforo e de outros pontos turísticos. Para melhorar nossa experiência na região, a nossa agência, a La Sierra Turismo, alugou um barco para conhecermos o estreito e ver as muitas mansões, palácios e fortalezas otomanas que pontilham suas margens. Para quem prefere terra firme, uma boa opção para contemplar a movimenta via navegável é visitar a Ponte Galata.

Aliás, na entrada sul do Estreito de Bósforo está localizada a Torre Kiz Kulesi (ou a “Torre da Donzela”), que conta com um restaurante e café. Diz a lenda que ela foi construída por um imperador bizantino após ouvir uma profecia de que sua filha seria morta por uma cobra aos 18 anos. Ele estruturou a torre em uma rocha no rio para que a garota morasse em segurança. No entanto, apesar da tentativa, uma cobra escondida em uma cesta de frutas trazida da cidade mordeu a princesa, que faleceu.

Para amplificar nosso conhecimento, como de costume, contratamos um guia local – que, mais do que gente boa, era um muçulmano poliglota, mestre em história e professor universitário. Com ele, partimos na missão de desvendar Istambul sob uma nova ótica. Inclusive, por conta dessa imersão, acabamos até saindo do roteiro – acrescentando uma ida até Éfeso (contarei sobre o local no próximo post).

MESQUITAS E IGREJAS BIZANTINAS – Istambul é uma belíssima mistura de mesquitas, igrejas bizantinas e palácios otomanos – uma cidade em que prédios antigos e modernos disputam atenção do público. E vamos lá: os méritos arquitetônicos de suas mesquitas as levaram a serem descritas como verdadeiras obras-primas. A antiguidade é impressionante e elas têm um grande simbolismo religioso, além de uma beleza avassaladora.

Para visitá-las, é aconselhável chegar cedo para evitar a multidão de turistas que começam a se reunir após o meio-dia. Outro ponto importante é usar as roupas permitidas. Homens devem evitar bermudas e mulheres precisam cobrir a cabeça e não exibir muito as pernas ou os braços. Caso você esqueça, pode ficar tranquilo – eles disponibilizam roupas para você entrar nos locais. Ah, vale a pena investir em calçados fáceis de remover, pois você terá que retirá-los.

Por lá, nossos passos nos levaram até a Mesquita Azul (ou Mesquita do Sultão Ahmet), cujos impressionantes azulejos azuis pintados à mão decoram as paredes em seu interior. À noite, esses azulejos refletem essas luzes e a mesquita é banhada por um brilho azul incrível. Construída durante o reinado de Ahmed I, entre 1609 e 1616, a mesquita possui cinco cúpulas principais, seis minaretes e oito cúpulas secundárias.

Ao lado da Mesquita Azul, no distrito central de Sultanahmed, encontra-se Santa Sofia (Hagia Sophia), que anteriormente foi uma igreja ortodoxa e depois uma mesquita. A Basílica de Santa Sofia foi erguida por ordem de Constantino perto dos anos de 360, mas foi destruída por dois incêndios. Hagia Sophia – que significa “Sabedoria Divina” – foi a maior catedral do mundo em seu tempo, símbolo do Império Bizantino, reconstruída pelo imperador Justiniano I entre 532 e 537.

Em 1453, os otomanos conquistaram Constantinopla (como Istambul já foi conhecida) e o sultão da época, Mehmet II, por admirar a arte na Santa Sofia (como pinturas e mosaicos) e querer preservá-la, ordenou que o edifício fosse transformado em uma mesquita e que as paredes fossem rebocadas e decoradas no estilo de arte otomano. Por fim, foi transformada em museu em 1935 e hoje é um dos maiores exemplos sobreviventes da arquitetura bizantina.

Sem dúvidas, vale a pena pagar alguns euros para visitar. Mesmo em reforma, Santa Sofia é incrível. Vivi momentos únicos ali. Emocionantes. Um deles foi ver de perto uma coluna de mármore do Templo do Rei Salomão, trazido durante a guerra para lá.

GASTRONOMIA, COMPRAS E TURISMO – A visita a Istambul não seria completa sem experimentar a agitação do Grande Bazar (Grand Bazaar), que é um dos mais antigos mercados cobertos do mundo. Ele é um importante local de comércio e entretenimento: com mais de quatro mil lojas espalhadas por 61 ruas. Você pode comprar de tudo – pulseiras douradas, têxteis, roupas e sapatos de couro, louças, cerâmicas, chá de menta, café forte, bolos e doces.

Se você pensou que tapetes mágicos (“voadores”) só existiam em desenhos animados e filmes, pense novamente. Feitos à mão e de alta qualidade, os tapetes são abundantes no Grande Bazar. Você pode contemplar uma infinidade de itens e talvez comprar um como lembrança. O valor varia conforme o tempo que levou para fazer – tem tapete de três meses, seis meses, um ano, dois anos e por aí vai. Eles são uma fonte de renda para as mulheres muçulmanas, que produzem nas horas vagas.

Outro ponto que vale a pena ir conhecer é a Praça do Sultão (Sultanahmet), que é uma espécie de museu ao ar livre – com fragmentos de edifícios originais do período bizantino ainda de pé. O local já foi o Hipódromo de Constantinopla – um centro social do império onde ocorreram eventos esportivos, como corridas de carros. Entre os artefatos sobreviventes constam dois obeliscos: a “Fonte Alemã” e a “Spina” – a barreira do meio de uma pista de corridas.

Além de linda, essa praça – que praticamente está localizada no meio de tudo – é o ponto perfeito para experimentar coisas típicas e tomar um delicioso suco de romã, vendido em copos enormes e com valor acessível. Também merecem entrar no radar o Bazar das Especiarias (Spice Bazaar), o Palácio de Topkapi (antigo palácio e hoje um museu público) e o Palácio de Dolmabahce, entre tantos outros lugares. Afinal, Istambul tem incontáveis maravilhas!

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Éfeso

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