Entre um voo e outro com Willians Mischur: Florença, o berço do Renascimento

Qual é a primeira coisa que vem a sua mente quando você pensa nos nomes Donatello, Michelangelo, Leonardo e Rafael? Tartarugas ninj… quer dizer, quatro artistas intimamente ligados a Florença? Eu, Willians Mischur, tive a oportunidade de visitar a capital da região Toscana, na Itália, para apreciar de pertinho seu eterno vínculo com a cultura, a arte e a arquitetura.

Muitos não sabem, mas a cidade do humanismo está igualmente relacionada a outras artes – como a literatura com Dante Alighieri e sua Divina Comédia; Boccaccio e seu Decameron; O Príncipe de Nicolau Maquiavel escrito para Lourenço II de Médici; até o pioneiro laboratório fotográfico dos irmãos Alinari, aberto em 1854 e transformado no Museu Fratelli Alinari da História da Fotografia, localizado na praça Santa Maria Novella.

Basílica de Santa Maria Novella, em Florença – Crédito Willians Mischur

Fundada pelos romanos como um porto fluvial no ano de 59 a.C., Florença começou a honrar esse título no século XI com a condessa Matilde da Toscana. Aliada do papa, ela abrigou na cidade ordens religiosas que fundavam conventos e igrejas, além de conceder privilégios aos nobres e à classe emergente em troca de apoio contra o Império Carolíngio. Após a morte da condessa, Florença se declarou autônoma e comerciantes e artesãos ganharam força.

Até hoje, Florença é uma cidade acessível – que nos convida a aproveitar uma boa caminhada a pé para contemplar sua beleza. Um bom ponto de partida é o rio Arno, que facilita a localização – assim como as sempre visíveis torres de sino e cúpulas dos edifícios principais. Desde 1343. Existem quatro bairros históricos que podem guiar o passeio: o Duomo, o Santa María Novella, o Santa Croce e o Oltrarno.

Vale muito a pena começar com o Duomo e admirar calmamente a cúpula brilhante de Brunelleschi, o Campanário de Giotto, o elegante e colorido Batistério octogonal de São João e o Museo dell’Opera di Santa Maria del Fior – que não é bem musical, mas preserva e restaura obras-primas da catedral. Próximo dali fica a Basílica de São Lorenço, com a cripta dos Médicis, e a Academia de Artes – outra visita inevitável para admirar o David de Michelangelo, entre outros clássicos.

Já, atravessando as ruas onde estão empilhados os palácios das grandes famílias florentinas encontramos a Piazza della Repubblica. Depois, voltando ao rio, é oportuno dedicar algumas horas para a Piazza della Signoria, onde está localizado o Palazzo Vecchio (Palácio Velho) – residência dos Médicis e sede do governo por sete séculos. Há também a Galleria degli Uffizi (Galeria dos Ofícios), que reúne mais de 3.800 obras criadas por artistas famosos dos séculos XII e XVIII.

Piazza Ognissanti, em Florença – Crédito Willians Mischur

Agora, se você quer modernidade, eu, Willians Mischur, indicaria seguir em direção aos dois museus dedicados à arte das roupas e calçados. São eles: o Gucci, instalado num palácio do século XIV na Piazza della Signoria, e o Museu Salvatore Ferragamo, próximo da Via Tornabuoni, rua onde antigas guildas de artesãos do couro e seda têm descendentes dignos.

Enquanto que no bairro de Santa Croce leva o nome da basílica franciscana na qual, inclusive, Maquiavel, Galileu e Michelangelo estão enterrados. Um mercado diário de antiguidades se encontra na Piazza dei Ciompi. Outro ponto bacana para se visitar é a Casa Buonarotti, o museu/casa da família de Michelangelo.

Do outro lado da medieval Ponte Vecchio, diversas joalherias rumo ao bairro de Oltrarno. A rota por lá inclui o Palácio Pitti (Palazzo Pitti), a Basilica di Santo Spirito, os afrescos de Masaccio na igreja de Santa Maria del Carmine e os Jardins de Boboli. Vale passear pelas ruas e conhecer os artistas de hoje. Até porque ourives, restauradores, galeristas, bordadores, encadernadores, fabricantes de vidro, ceramistas, marceneiros e chapeleiros, entre outros, criam objetos incomuns.

A arte e manufatura que antes eram fontes de riqueza hoje ainda estão muito vivas nesta cidade dedicada à beleza desde suas próprias origens. Florença, sem dúvidas, respira arte a cada esquina.

A propósito, o tour de Dante é bem interessante e transmite tudo aquilo que o famoso poeta viveu, amou e respirou na Florença medieval. Logo, é imperdível dar um pulo na Casa di Dante (Casa de Dante), um pequeno museu cheio de cópias da Divina Comédia, e na Igreja de Santa Margherita dei Cerchi, onde ele se apaixonou por Beatrice.

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Veneza, La Sereníssima

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