Entre um voo e outro com Willians Mischur: ferry boat e Mykonos

Nunca pensei que partir de Santorini para Mykonos seria uma aventura grega digna de um filme hollywoodiano: o “Velocidade Máxima II”. Mas, nada de Sandra Bullock no elenco. Nessa aventura, a estrela – pouco convencional – é um ferry boat. Um protagonista que tem seu estilo bem definido e pouco conhecido do público que quer acompanhá-lo. Já viajou de barco? Não? Então, explico. 

Entrar e sair de um ferry boat na Grécia é como viver num grande centro em horário de pico. No cais, mais de mil pessoas esperam o momento mágico para caminhar rapidamente a bordo. Sim, isso mesmo: rapidamente. O grande problema é que quase não há sinalização ou organização ali. Se você não se informar com antecedência e não se manter vigilante, já era… perderá o gigantesco ferry – como aconteceu com a minha família.

Não tínhamos ideia de como funcionava o translado. Após trocar o comprovante adquirido online pelo ticket no guichê local (requer antecedência mínima de 30 minutos), observamos um monstruoso barco parar no porto e abrir o compartimento traseiro. Num piscar de olhos, as pessoas entraram com suas malas no que parecia ser um “porão” e o ferry partiu em seguida. Até entender que aquela era a dinâmica da viagem, ele se foi e tivemos que aguardar o próximo.

A propósito, é preciso estar preparado para subir rampas (construídas para carros e caminhões), com pressa e sem tropeçar, puxando diversas malas. Na saída, ocorre o processo inverso. Então, lembre-se: quanto mais malas você estiver carregando, mais tempo vai gastar no meio da multidão – e tudo ali é veloz. Inclusive, o barco.

A duração da viagem de ferry boat varia conforme a velocidade da embarcação. Cada um leva de 1.000-1.300 pessoas e conta com três modalidades (econômica, executiva e primeira classe). Eu, Willians Mischur, com auxílio da nossa agência de viagens, a Lassiera Turismo, escolhi a versão intermediária (executiva), localizada no andar superior ao lado da primeira classe – cuja diferença parece nem existir. Dali, contemplei pequenas ilhas pelo trajeto até vislumbrar o nosso destino final espelhado no mar Egeu.

MYKONOS – Epicentro da boêmia grega, Mykonos é uma miragem. Oferece tudo o que você deseja para uma pausa inesquecível: belas praias, uma vida noturna intensa, vilas charmosas e uma cena gastronômica de dar água na boca. Para quem não quer relaxar à beira da piscina o dia todo, existem ruas charmosas para explorar construções pintadas de branco, vielas sinuosas, vistas panorâmicas e pontos históricos.

A cidade de Mykonos serpenteia em torno de uma pequena baía com um antigo porto e uma pequena praia. É ali que você encontrará a maioria dos bares, restaurantes e clubes – caso planeje explorar a mundialmente famosa vida noturna da ilha. Enquanto que o Porto Velho e a Pequena Veneza (“Little Venice”) – construções quase no nível do mar – são ótimos para contemplar vistas bonitas e passeios de lazer.

Cartão-postal de Mykonos, cinco Moinhos de Vento podem ser contemplados em todos os pontos da cidade. Hoje, não estão mais em uso para moer trigo/cevada para produzir farinha, mas não perdem sua imponência no local. Ótimo cenário para fotografias. Para uma dose de cultura, as galerias de arte e o Museu Arqueológico de Mykonos (onde há túmulos, esculturas e outras descobertas de ilhas vizinhas) nunca decepcionam. Mykonos foi descoberta por causa do turismo arqueológico da região. 

Cyclades, como é conhecido o arquipélago que Mykonos integra, tem origem no grego “kiklos” porque suas ilhas “circundam” a ilha sagrada de Delos – o antigo centro religioso e local do nascimento mítico de Apolo. Delos fica a poucos quilômetros de Mykonos, aproximadamente 25 minutos de barco, mas não há dúvidas acerca de qual ilha é a mais importante na atualidade. 

Vale destacar que na mitologia grega Mykonos é conhecida como local de batalha entre Zeus (com os Deuses do Olimpo) e os Gigantes – episódio em que Hércules matou os Gigantes. Inclusive, a ilha recebeu o nome do filho do deus Apolo: Mykonos.

Igreja Ortodoxa Paraportiani em Mykonos – Crédito Willians Mischur

Para além da suposta “Gigantomaquia”, Mykonos também é o lar de igrejas caiadas que impressionam com sua simplicidade e elegância, como é o caso da Igreja Ortodoxa Paraportiani – localizada na vila de Chora. Se estiver disposto a explorar a ilha a pé, acrescente essa parada ao itinerário. Só cuidado para não se perder no caminho, pois as ruas parecem um “labirinto” – feito originalmente para atrapalhar saques de piratas.  

Diferente de Santorini, Mykonos apresenta algumas das melhores praias da Grécia. Provavelmente, a Praia de Kalafatis é uma das mais conhecidas – com suas águas azul-turquesa (lindíssimas e muito geladas) e milhares de espreguiçadeiras e restaurantes. Por outro lado, a Praia Ornos é mais tranquila para ir em família. A propósito, nem todas as praias de Mykonos são arenosas, algumas são de seixos (ou seja, “cascalho”). Topless é algo recorrente por lá. DJs embalando a galera também.

Uma coisa é certa: tudo ali tem seu custo, por vezes salgado. Uma água pode custar cinco euros (quase R$ 24) e cinco cadeiras para sentar na praia, em família, pode valer 170 euros (quase R$ 816). É outra realidade – o que requer planejamento e um olhar atento para não estourar o orçamento em poucas horas. Por outro lado, o atendimento é sensacional. Ficamos em Sant’Anna e bastava erguer a mão para vir um atendente. Os restaurantes em Mykonos são impressionantes e a carta de vinhos é de alto padrão.

Ao longo de quatro dias, ficamos hospedados no Myconian Kyma – um refúgio bem original no alto da ilha que conta com a deslumbrante vista do mar Egeu. Pode-se dizer que ali seu relógio interno é redefinido para o ritmo peculiar de Mykonos e, é claro, para aquilo que os gregos definem como “meraki”. Leia-se: “paixão”.   

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Atenas

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