Entre um voo e outro com Willians Mischur: Éfeso, uma joia da humanidade

Entre o Mar Egeu e o antigo estuário do rio Kaystros, encontra-se uma joia da humanidade: Éfeso. Localizada há cerca de 80 quilômetros ao sul de Izmir, na Turquia, a antiga cidade portuária (hoje, periferia de Selçuk) quase não esteve no meu roteiro – algo que corrigi prontamente assim que o guia que acompanhava minha família contou um pouco mais sobre sua história, que por sinal é fantástica.

Sempre reconheci o valor de contar com o apoio de guias especializados durante as minhas viagens, mas – sem dúvidas – em sítios arqueológicos, onde esqueletos de templos e demais construções merecem explicações mais aprofundadas, eles são fundamentais. Em nossa passagem pela Turquia, não foi diferente. Tanto que seguimos para Éfeso e aproveitamos a valiosa oportunidade de contar com um guia que era mestre em história e professor universitário.

Nem o sol – adversário feroz – foi capaz de mudar a nossa empolgação para conhecer o local. Aliás, vá preparado com muita água e protetor solar para passar cerca de três horas (ou mais) explorando a região. Éfeso é uma cidade que antes era Helena, mais tarde romana e mais tarde bizantina.

Há uma lenda que diz que o príncipe jônico Androclos fundou Éfeso no século XI a.C. Segundo a história, quando Androclos procurou um novo assentamento grego, ele se voltou para os oráculos de Delfos em busca de orientação. Eles, por sua vez, profetizaram que um javali e um peixe mostrariam para o príncipe a nova localização.

E não é que, um dia, quando Androclos fritava um peixe em fogo aberto, o animal saltou da frigideira e aterrissou em arbustos próximos. Uma faísca acendeu os arbustos e um javali correu. Ao recordar a mensagem dos oráculos, o príncipe construiu seu novo assentamento onde estavam os arbustos e chamou o local de Éfeso. Já outra lenda diz que Éfeso foi fundado pelas Amazonas (uma tribo de mulheres guerreiras) e que a cidade recebeu o nome de sua rainha: Efésia.

A questão é que grande parte da história antiga de Éfeso não é registrada. O que se sabe é que, no século VII a.C., Éfeso caiu sob o domínio dos reis da Lídia e se tornou uma cidade próspera, onde homens e mulheres desfrutavam oportunidades iguais. O local também foi o berço do renomado filósofo Heráclito. Tanto que uma boa opção é começar a visita pelo Museu de Éfeso, em Selçuk, e depois seguir para as ruínas da cidade antiga.

TEMPLO DE ÁRTEMIS – Conhecido como uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, o Templo de Ártemis, a deusa grega da fertilidade, da caça e da guerra (filha de Zeus e irmã gêmea de Apolo), é uma das relíquias de Éfeso. Projetado pelo arquiteto cretense Quersifronte, o monumento contava originalmente com 127 colunas de 18 metros de altura – cuja cela interna abrigava a estátua de Ártemis.

Um pastor chamado Eróstrato causou um incêndio que destruiu o templo no século IV a.C. Embora tenha sido reconstruído de acordo com o anterior, o templo acabou sendo arrasado pelos godos no terceiro século d.C. Atualmente, uma única coluna dessas 127 ainda está de pé – e, mesmo assim, impressiona. Vale a pena visitar. Estima-se que ele era quatro vezes maior que o Partenon, sendo considerado o maior templo do mundo antigo.

DOMÍNIO ROMANO – Em II a.C., o rei Attalos de Pergamon deixou Éfeso ao império romano. Logo, a cidade se tornou a sede do governador romano regional. As reformas de César Augusto levaram Éfeso ao seu período mais próspero. A maioria das ruínas efésias vistas hoje – como o enorme anfiteatro (onde ocorreram performances e jogos de gladiadores), a Biblioteca de Celso, o espaço público (Ágora) e os aquedutos – foram construídos durante seu reinado.

Claro que aproveitei a passagem por Éfeso para visitar o que restou no sítio arqueológico. As ruínas da Biblioteca de Celso apresenta uma fachada monumental, bem no cruzamento das avenidas Curetes e Mármore. Construída em memória do governador romano Tiberius Julius Celsus Polemaeanus – no topo da sua tumba –, a biblioteca possui um grande valor histórico: estima-se que ela tenha guardado cerca de 12 mil pergaminhos.

CRISTIANISMO – Éfeso teve um papel vital na propagação do cristianismo. A cidade é mencionada várias vezes no Novo Testamento e no livro bíblico de Éfesios (escrito por volta de 60 d.C.), que é considerado uma carta de Paulo aos cristãos de Éfeso, embora alguns estudiosos questionem a fonte.

A propósito, acredita-se que Maria, mãe de Jesus, teria passado seus últimos anos com São João na cidade. Eu, Willians Mischur, tive a oportunidade ver o túmulo de São João e subir o Monte Rouxinol (Bülbül Dagi) para visitar a Casa de Maria (Meryem Ana). Escondida no alto do monte, a moradia é singela e bem simples – de pedra e cercada pela natureza. A construção foi encontrada por padres lazaristas em 1891 e renovada na década de 1950.

Logo na entrada da casa, que apresenta dois cômodos, existe um altar e velas para que as pessoas possam fazer suas orações e as depositarem acesas do lado de fora. Confesso que a experiência de contemplar tudo isso foi emocionante. A energia que cerca o local é de arrepiar. Ela é emanada pela fé de milhares de visitantes que passam por ali. Há uma paz que contagia.

Ainda em relação à herança do cristianismo na região, vale lembrar que Éfeso tinha uma das sete igrejas listadas no Apocalipse – junto a Esmirna, Pérgamo, Sardes, Tiatira, Filadélfia e Laodiceia. A cidade também foi sede de concílios ecumênicos. É quase surreal pensar que aquilo que você leu na Bíblia teve esse local como cenário. Um local que você está visitando.

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Roma

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