Entre um voo e outro com Willians Mischur: Chambord e os vinhedos

Considerado uma das jóias da herança da humanidade, o château Chambord – ou “Palácio da Natureza” – é praticamente um monumento da região de Loire, na França. Há quem diga que ele é o equivalente na arquitetura ao que é o quadro “Monalisa” na pintura. Construído sob pedido de Francisco I, o château – que se ergue do coração dos pântanos de Sologne – é considerado Patrimônio Mundial da Unesco desde 1981. Eu, Willians Mischur, não perdi a chance de conhecê-lo quando viajei para a França.

É de impressionar a renomada escadaria de dupla hélice de Leonardo Da Vinci – uma espiral ascendente que leva a uma variedade de chaminés e capitéis (extremidades superiores das pilastras) esculpidos nos terraços. Ou seja, ela permite subir uma pessoa de cada lado sem se cruzarem. De acordo com o poeta François-René de Chateaubriand, essa espiral pode ser descrita como “uma mulher cujo vento soprou seus cabelos no ar”.  

Também é possível aprimorar a experiência do tour com o Histopad, um tablet que permite viajar pelo tempo com reconstituições 360º até participar de uma caça ao tesouro. E o melhor: ele está disponível em 12 idiomas, inclusive em português. Várias atividades podem ser feitas em família no local – desde assistir um show que encena as justas e os combates da Renascença, passear de barco elétrico pelo canal que cerca a construção até andar de bicicleta ao redor do castelo.

Mas, atenção, cada atração tem seu período disponível no ano. Antes de embarcar rumo ao local, recomendo que você confira antes a programação no site oficial (https://www.chambord.org/fr/).

Roseiras protegem os vinhedos no Vale do Loire – Crédito Willians Mischur

COLHEITA DE 500 ANOS – A pouco mais de um quilômetro de distância do château Chambord, na fazenda “Ormetrou”, 14 hectares de videiras biológicas foram gradualmente plantadas desde junho de 2015 para a colheita de 500 anos – prevista para setembro de 2019. Tudo isso só será possível porque Chambord redescobriu as plantas de videira que Francisco I tanto apreciava.  

Entre 1518 e 1519, o rei francês trouxe 80 mil videiras de uma casta para o Vale do Loire de Beaune, na Borgonha, que mais tarde tomou o nome de Romorantin e hoje cobre cerca de 50 hectares na denominação de Cour-Cheverny. Quase cinco séculos depois, replantaram-se variedades antigas: quatro hectares de Romorantin de plantas pré-filoxera e dois hectares de menu Arbois ou Pineau.

Quatro hectares de Pinot noir e 0,7 hectares de Gamay também foram cultivados para fazer Cheverny em misturas, assim como três hectares foram voltados ao Sauvignon. Esses 14 hectares irão produzir cerca de 70 mil garrafas. Para tal, uma adega para vinificação foi confiada ao arquiteto de renome internacional Jean-Michel Wilmotte.

VINHEDOS E TOUR GASTRONÔMICO – Eu, Willians Mischur, sou apaixonado por vinhos e aproveitei a viagem pela região do Vale do Loire para degustar diferentes rótulos elaborados a partir de uvas cultivadas nesse solo fértil.

Na cidade de Pauillac, por exemplo, conheci o château Lynch-Bages – uma adega em que experimentei o conceituado vinho que leva o nome da propriedade. Seu vinho principal é composto majoritariamente de Cabernet Sauvignon (75-85%), mesclado com Merlot (10-15%), Cabernet Franc (5-10%) e Petit Verdot (2%).

Enquanto que na comuna de Saint-Émilion, cerca de 40 minutos de Bordeaux, mergulhei no passado e vi de perto suas plantações de uvas – que adentram os limites urbanos e nos convidam para uma taça ao entardecer. Oficialmente, a história narra que os romanos já as cultivavam nesse território no século II a.C. A tradição de viticultura de Saint-Émilion lhe rendeu a nomeação de patrimônio universal pela Unesco em 1999, a primeira nesta modalidade a receber essa distinção no mundo.

Aproveitei para ir no estabelecimento La Grande Cave, que faz degustações comparativas gratuitas para conhecer rótulos de vinhos e conhaques renomados de Bordeaux. Aliás, moradores de Saint-Émilion contam que o local foi berço dos macarons – tradicionais doces franceses com formato de biscoito e maciez interna de um bolo, cuja receita remonta ao ano de 1620.

Hostellerie de Plaisance tem duas estrelas Michelin – Crédito Willians Mischur

Saint-Émilion esconde outro tesouro gastronômico: a hostellerie de Plaisance, que traz consigo duas estrelas Michelin e pratos capazes de surpreender os olhos e o paladar. Estruturado em um antigo convento, o local abriga um restaurante fabuloso que conta com um menu que mistura as origens bretãs do chef com as experiências meridionais e o solo de Aquitânia. Com uma carta de vinhos de respeito, a hostellerie de Plaisance deixa a felicidade sem fôlego.   

Para além dos vinhedos e da boa gastronomia, Saint-Émilion tem seu charme com fileiras de casas antigas, vielas de pedras estreitas e inclinadas que pouco mudaram desde a Idade Média, muralhas (cujos resquícios ainda podem ser observados), galerias subterrâneas e uma igreja Monolítica – totalmente esculpida em uma só rocha, sendo uma das maiores de toda a Europa. Aliás, cabos de eletricidade, postes, antenas e canos não são vistos pelas ruas.   

No site da Secretaria de Turismo de Saint-Émilion (https://www.saint-emilion-tourisme.com) há uma lista com todos os châteaux para visitação, bem como uma relação de atividades interessantes. É possível fazer cursos básicos de iniciação em vinhos, recorrer ao Maison du Vin (Casa do Vinho) para aprender os princípios básicos de degustação e, até mesmo, visitar chatêau Haut-Sarpe – em que o turista aprende sobre a produção de um vinho, dar vida a seu tinto e levá-lo para casa. 

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador. 

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Paris, a cidade luz

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