Entre um voo e outro com Willians Mischur: Capadócia e os balões

Nascer do sol. Pôr do sol. Há quem acredite que o tempo é uma questão de perspectiva. Teoria que eu, Willians Mischur, comprovei na Capadócia, região semiárida localizada na área central da Turquia. Em nosso primeiro dia por lá, já levantamos às três horas da manhã, tomamos café às 4h30 e em questão de 30 minutos estávamos prontos para embarcar num balão de ar quente e sobrevoar a geografia ímpar da Capadócia.

O ritual de subida começou ainda no escuro – antes do amanhecer. Gradualmente, o fogo começou a aquecer o ar que inflava os balões e as chamas logo se ergueram feito fantasmas luminosos no meio do breu enquanto as cestas recebiam os turistas. Cada balão pode transportar até 20 pessoas. Antes da decolagem, uma série de instruções de segurança foram passadas aos participantes, que se localizavam em seus respectivos lugares dentro da cesta – equilibrando o peso no voo.

Não era o meu primeiro passeio nessa modalidade (tinha andado na Itália), mas – sem dúvidas – é algo inesquecível subir centenas de metros em um balão sobre a Capadócia e admirar o solo de formas caprichosas – esculpidas pela água e pelo vento. Mais incrível ainda é ver o primeiro raio de sol surgir no horizonte atrás da figura inconfundível do extinto vulcão Erciyes Dağı, também conhecido como Monte Argeu – que conta com mais de 3.900 metros de altura.

Se no alto tudo é silêncio e fascínio, abaixo a paisagem de tons ocres e rochas erodidas se estende até onde os olhos podem ver. E o vento segue lentamente impulsionando o voo de balões gigantescos. Neles, os turistas – assim como nós – maravilham-se com um espetáculo que provavelmente nunca irão esquecer – rodeados por uma mistura extasiante de vertigem e admiração. A sensação é de estar sobrevoando a lua.

As montanhas que parecem ter formato de mesa, quase todas da mesma altura, nem são montanhas. São parte do mesmo platô. Vales e desfiladeiros foram cortados por pedras macias, que nada mais são do que cinzas vulcânicas pressionadas juntas – que colorem a paisagem com listras exatamente no nível certo. Essas formações rochosas também fazem parte desse platô. Foram destruídos há milhares de anos: com vento atacando pelo lado e chuva por cima.

Em certos lugares, a rocha parece tão lisa que pode ter sido formada a vácuo. Em outros, formações rosadas e avermelhadas parecem descolar da encosta principal como pétalas. Cristas estreitas saem das montanhas de topo plano e “chaminés de fadas” chamam a atenção pelo caminho – elas são as geoformas mais típicas da região, geralmente arredondadas por um grande número de pombos. Parecem pináculos cobertos de cogumelos e repletos de janelas e portas irregulares.

Aliás, existe uma lenda na Capadócia de que fadas e homens viviam juntos, mas sem se relacionarem. Até que, um dia, uma dessas fadas se apaixonou desesperadamente por um dos humanos. Horrorizada, a rainha das fadas transformou todos os homens em pedras com formato de chaminés e suas fadas em pombos. Desde então, esses animais sobrevoam ao redor das pedras o dia todo.

A propósito, engana-se quem pensa que o espetáculo dos balões se resume ao que é vivido por seus tripulantes. Blogueiras e noivas de todos os lugares do mundo se aventuram em um “turismo fotográfico”. Elas se arrumam bem cedo e correm para o alto das montanhas em busca do clique perfeito – o ângulo que permita o enquadramento dos balões que sobrevoam a região.

Para além de tudo isso, a questão é que muitas pessoas chegam à Capadócia com o sonho de andar nos balões. No entanto, elas se esquecem de reservar a atração com antecedência. Apesar da ampla variedade de ofertas (mais de 20 empresas oferecem o serviço), o passeio é concorrido. Na baixa temporada, poucos dias bastam. No entanto, na alta temporada, isso pode exigir semanas de antecedência. Eu, Willians Mischur, cheguei a ver um show de centenas de balões no céu.

Já deixamos reservado nosso passeio desde o Brasil. Optamos pela Cappadocia Voyager Balloons . Eles, assim como outras agências, recolhem os passageiros em seus hotéis e decolam nas proximidades da cidade de Göreme – que, por sua vez, pode ser contemplada do alto de um balão com suas casas, mesquitas e mosteiros vistas como miniaturas.

E é com maestria e responsabilidade que os pilotos navegam os balões sem perder o contato com a torre de monitoramento e enfrentam as mudanças de direção do vento a cada vale – transformando cada viagem em única. Como o local do pouso é definido somente nos últimos 20 minutos, o nosso… deu um pouco errado. Quer dizer, não paramos no fim do vale, como de costume. Nosso balão não estava baixo o suficiente para isso.

Eu, Willians Mischur, confesso que nem me importei com o ocorrido. Afinal, estava fotografando o passeio e andamos meio quilômetro extra. No fim, foi uma aventura: acabamos parando no meio da estrada, perto de um posto de gasolina. E, com isso, chegou a hora de brindar com uma champanhe e comemorar a experiência. Enquanto isso, o balão logo se esvazia esperando para subir novamente com o próximo dia. Apenas uma hora se passou. É, o tempo realmente é uma questão de perspectiva.

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Capadócia por terra

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