Entre um voo e outro com Willians Mischur: Atenas, o berço da civilização ocidental

Atenas é berço da civilização ocidental, mas tem uma alma eternamente jovem. Eu, Willians Mischur, tive a oportunidade de conhecê-la recentemente durante minha última viagem. Com origem entre 7.000 e 5.000 a.C., a animada metrópole grega está na encruzilhada de culturas do Oriente Médio, norte da África e Europa. E, sim, seu lugar na história antiga atrai visitantes de todo o mundo. 

Foi ali que grandes pensadores, escritores e artistas – como Hipócrates e Platão – prosperaram durante a Idade de Ouro de Atenas. Hoje, a cidade se transformou em um popular destino de férias justamente por casar locais arqueológicos, atrações culturais contemporâneas e uma animada vida noturna (e diurna). É uma das poucas capitais europeias a exibir um litoral – a belíssima e remodelada Riviera de Atenas.

Apesar de contar com cerca de três milhões de habitantes em sua grande área urbana, Atenas possui a atmosfera acolhedora de uma cidade pequena. Seus bairros, praças e calçadas estão sempre cheios de gente. Por necessidade ou escolha, a população local parece viver no agora. Desfrutam uma vida descontraída e, por conta da proximidade com outras culturas, costumam ser poliglota, o que ajuda muito os turistas. Até porque ninguém (ou quase ninguém) entende ou lê grego. 

Como de costume, optei por contratar um guia local para fazer um tour privado a pé pela cidade. E o melhor: em português. Eu, Willians Mischur, recomendo sempre contar com o auxílio de um guia – nem que seja por apenas três horas. Além de facilitar a troca de informações em seu idioma, ele conhecerá bem a região e irá te levar aos principais pontos turísticos – caso não possa, indicará quais são e quais trajetos percorrer até eles. Assim, você não perde tempo tentando descobrir e definir tudo na hora.

A propósito, Atenas é uma cidade voltada para pedestres. Seu centro histórico é de fácil navegação e até o transporte público é acessível. Inclusive, a capital da Grécia oferece um “grande passeio” bem delineado para pedestres – criado como parte da reforma da cidade antes dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004. Tal trajeto serpenteia a Acrópole e liga os principais sítios arqueológicos. Para ser bem sincero, um dia em Atenas é suficiente para ver todos os pontos turísticos.

ACRÓPOLE – Imponente, a Acrópole domina tanto o horizonte da Atenas clássica quanto da moderna. Isto, para não dizer do horizonte da nossa memória. Tão essencial aos textos dos nossos livros de história – e da nossa imaginação – a Acrópole é um daqueles monumentos quase míticos que você sente que já viu mesmo que nunca tenha visto de verdade. Ele é um lembrete poderoso da mente helênica por volta de 490 a.C. 

Outrora um reduto para os príncipes micênicos, a “akropolis” (“cidade alta”) foi dedicada aos deuses ao longo dos anos, pois a “ágora” (“praça pública”) abaixo parecia mais adequada para as reuniões da democracia. Depois que os gregos derrotaram os persas na batalha de maratona, o estadista Péricles embarcou em um programa de construção sob a direção do escultor Phidias. O objetivo era fornecer algo que proclamasse a ascensão de Atenas como a maior cidade da Terra.  

E nem os séculos (ou os ataques) enfraqueceram o domínio da Acrópole sobre a alma grega ou sobre as almas dos herdeiros da esperança ateniense. Descrita pelo filósofo grego Plutarco como “intocada pelo tempo como se o fôlego infalível de um espírito eterno tivesse sido infundido nelas”, a Acrópole – com suas “rochas sagradas” – parece continuar a mover a população enquanto a memória da democracia sobreviver.

Para visitar a Acrópole, é conveniente acordar cedo – assim você evita a grande aglomeração de visitantes e o calor intenso. Subindo pela encosta sul, um dos primeiros vestígios encontrados é o Teatro de Dionísio (o mais antigo preservado), em que até 17 mil espectadores testemunharam as obras dos trágicos Ésquilo, Sófocles e Eurípides.

Depois de atravessar o Templo de Asclépio (deus grego da Medicina) e visitar a colunata do rei Eumenes II, você chegará ao Odeão de Herodes Ático – outro teatro magnífico que, por conta de sua invejável acústica, ainda abriga concertos de música clássica e ópera. 

TEMPLOS – Próximo ao Propileu (porta monumental que serve como entrada para a Acrópole), encontra-se o pequeno e requintado Templo de Atena Niké – símbolo do triunfo dos atenienses sobre os persas. Era lá que os habitantes se deparavam com uma estátua de bronze de nove metros da deusa Atena Promacos, feita por Phidias. Acredita-se que ela foi movida para Constantinopla pelos bizantinos e destruída por cristãos no século XIII.

Agora, o que seria de Atenas sem o Partenon – símbolo global do mundo antigo e a maior conquista arquitetônica da Grécia clássica? Situado na colina da Acrópole, o templo dórico de mármore (construído entre 447 e 438 a.C.) é impressionante. Mesmo os habitantes locais nunca deixam de achá-lo inspirador – seja como um impulso espiritual diário ou como uma espécie de fotografia desbotada de um ancestral sentinela que observa o atual modo de vida local.

Dedicado à deusa grega Atena, o Partenon – mesmo com o frontão devastado pela guerra – exibe segredos em forma de esculturas que representam desde o “nascimento de Atena” até a “luta entre um centauro e um Lapith”.

Antes de ir para o passeio, um conselho: use roupas e sapatos confortáveis. A região tem muitas subidas e as pedras de mármore branco são escorregadias. Também não se esqueça de levar água (não tem onde comprar lá no topo). Como muitos monumentos são contemplados ao ar livre, lembre-se de passar protetor solar. Sim, é lindo observar o sol transformar o mármore da Acrópole em amarelo durante o ardente pôr do sol, mas não é legal deixá-lo queimar sua pele.   

Em frente ao Partenon, o templo mais sagrado do complexo foi erguido: o Erecteion. Segundo a lenda, ele foi construído no local em que os deuses Poseidon e Atena se enfrentaram pelo domínio da cidade. No templo, as cariátides – colunas refinadas em forma de corpos femininos – sustentam de forma bela o pórtico do sul. As originais estão no Museu da Acrópole. Atrás do Propileu também se encontram vestígios do altar de Zeus e os templos de Poseidon e de Atena Ergane.

A propósito, se você deixar o Propileu pela entrada primitiva da Acrópole, encontrará em seu caminho um complemento essencial ao tour: o moderno Museu da Acrópole, que foi aberto em 2009. Com paredes de vidro, exibe desde moedas, esculturas, frontões e frisos do Partenon. Se você tiver mais tempo em Atenas, a Academia de Platão e o Museu Nacional de Arte Contemporânea também são imperdíveis.

Para encerrar em grande estilo, passeie pelas ruelas de paralelepípedos de Plaka, distrito mais antigo de Atenas, situado praticamente no “pé” da Acrópole. Você encontrará por lá ruas encantadoras, casas neoclássicas em tons pastel, igrejas bizantinas, museus, monumentos da época otomana e diversas lojas. 

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Capadócia

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