Entre um voo e outro com Willians Mischur: Vancouver e a Aurora Boreal

O Canadá nunca esteve nos meus planos. Ainda mais durante a estação mais fria do ano: o inverno. Para quem vive em Cuiabá, no Estado de Mato Grosso, acostumado com 40ºC, o convite para se aventurar em baixas temperaturas não parece ser muito atrativo em um primeiro momento. Sim, apenas em um primeiro momento. Até porque, quem diria, esse destino atípico para um cidadão do Cerrado se tornaria inesquecível. 

A convite de um amigo, cujo filho estava estudando no Canadá, parti com a minha família rumo a cidade de Vancouver no dia 22 de dezembro. Algo que já era diferente, pois nossos roteiros sempre englobavam cidades dos Estados Unidos ou da Europa. Nossa ideia inicial era ir para a Alemanha.

Saímos de São Paulo numa sexta-feira e aterrissamos no sábado em solo canadense – com direito a dia livre para passeios. Se no verão Vancouver faz calor intenso, no inverno… o frio também mostra ao que veio. Mais do que estar em sintonia com agasalhos, um guarda-chuva acaba se tornando seu companheiro pela cidade – sim, a chuva gosta de marcar presença.

Canadá e as Montanhas Rochosas – Crédito Willians Mischur

Deslumbrante, o local apresenta um centro urbano movimentado com lojas, restaurantes, parques, praças e diversas opções de lazer. Eu, Willians Mischur, aproveitei para ver de perto com a minha família o famoso relógio a vapor. Localizado em Gastown, distrito da região central, o “Steam Clock” é um show a parte.

A cada 15 minutos, o apito do relógio pode ser ouvido de longe e sua melodia logo se espalha pela região, que é considerada uma das mais antigas de Vancouver. Muito além de celebrar a origem da cidade ali, o “Steam Clock” é um símbolo de sua espécie: o primeiro relógio a vapor do mundo – fabricado em 1875 e restaurado em 1977.

“Steam Clock” em Vancouver – Crédito: Willians Mischur

O Natal em Vancouver teve seu charme. Estourar a champanhe tendo como temperatura base 3ºC, sem dúvidas, marcou bastante. Durante três dias, ficamos hospedados no Sheraton Vancouver Wall Centre, aproveitamos para passear bastante e tirar uma infinidade de fotos. Mas, a cidade foi apenas o ponto de partida para algo surreal: ver de perto a Aurora Boreal. 

AURORA BOREAL – Nessa missão, embarcamos para Whitehorse, capital de Yukon, no norte do Canadá. Antes de tudo, imagine um lugar frio. Agora, imagine uma média baixa diária em torno de -22 °C. Sim, isso mesmo. Ao descer do avião ainda estava tudo beleza, mas confesso que no momento em que a porta abriu para irmos até o carro… o choque de realidade nos atingiu. No entanto, nosso foco era a Aurora Boreal e seguimos adiante.

Aurora Boreal em Whiterhorse, no Canadá – Crédito Willians Mischur

Era noite quando fomos rumo ao observatório para observar as famosas “luzes do norte” – que, cientificamente, nada mais é do que uma demonstração vívida do campo magnético da Terra interagindo com partículas solares carregadas. Independente da explicação oficial, a questão é que a beleza incrível desse fenômeno, sem dúvidas, vale o esforço de enfrentar o frio pela vigília. Bebidas quentes e alguns petiscos também ajudam.

A sensação de estar bem pertinho do Alasca e presenciar esse fenômeno é de que você está diante de um grande quadro da natureza elaborado com uma espécie de “fogo frio” (o que não é) nas mais diferentes cores de íons. Contemplar a Aurora Boreal é aceitar que o universo existe. Afinal, ela pode ser observada do espaço e de outros planetas.  

Impossível não fotografá-la – e, é claro, esquecer-se do tempo. A propósito, não façam isso – tenham o tempo como aliado. Eu, Willians Mischur, lembro que percebi que a minha câmera estava com a batida mais lenta, mas continuei mesmo assim. Na hora, nem cogitei que ela estava congelando por dentro.

Temporada de inverno na capital de Yukon, no Canadá – Crédito Willians Mischur

Se não fosse o meu filho me chamar, aqueles 15 minutos ao ar livre teriam se tornado um pesadelo. Corri me aquecer perto da lareira, que quase não sentia calor emanando. Estava praticamente “congelado”. Aprendi uma lição: ver uma fotografia não é o mesmo que vivenciar o clique. Tanto que um dos grandes erros do turista é não conhecer a realidade local e acabar se colocando em situações complicadas.  

Desfrutamos três vezes dessa programação noturna no observatório para ver a Aurora Boreal – oportunidades únicas na vida. Enquanto que, durante no período diurno, tínhamos a programação livre em Whitehorse – que, aliás, é considerada pelo livro dos recordes (o Guinness World Records) como a cidade com o ar mais puro do mundo.

Whitehorse é considerada a cidade com o ar mais puro do mundo pelo Guinness World Records

Não faltavam atividades como dog sleeding (trenó puxado por cães), snowmobiling (moto de neve), cross country ski e ice fishing. Nesse período, ficamos hospedados no Best Western Gold Rush Inn – um lugar rústico e bastante charmoso. Retornamos para Vancouver e, após um dia de descanso, um novo objetivo: viajar de trem.

Sou Willians Mischur. Brasileiro, esposo, pai, empresário, fotógrafo, coach, aficionado por viagens e um eterno sonhador.   

Entre um voo e outro, vem comigo! Próxima parada: Montanhas Rochosas.

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